Por Professora Denise Ferreira
Quem nunca recebeu um trabalho de pesquisa em que os alunos entregam tudo copiado, sem entender nada do que escreveram!
Isso é muito comum. E olha que não é falta de esforço, mas…é falta de orientação!
Precisamos orientar os alunos que pesquisar não é só procurar no Google ou pedir uma resposta pronta ao ChatGPT e colar o resultado.
Pesquisar é aprender a perguntar, a buscar, a interpretar, a escrever e a compartilhar. É uma habilidade essencial para a vida escolar e para a formação de cidadãos críticos.
Vou te mostrar as 5 etapas que sigo e que transformam a pesquisa escolar em um verdadeiro processo de aprendizagem. Segue o fio…
1- COMECE COM UMA BOA PERGUNTA
Uma pesquisa bem feita nasce de uma questão clara e instigante.
Quando apenas “damos um tema”, como “Meio ambiente” ou “Planetas do sistema solar”, é comum que os alunos recorram a copiar informações prontas, sem realmente se envolver com o assunto.
Mas, quando transformamos o tema em um problema ou pergunta norteadora, despertamos a curiosidade e damos rumo à investigação.
Olha esses exemplos:
- “O que cada aluno da turma pode fazer para reduzir o lixo produzido em casa?”
- “Por que Marte é chamado de Planeta Vermelho e o que isso revela sobre ele?”
💡 Dica da Profe Denise:
Ao planejar a pesquisa, experimente simular você mesma o processo de busca.
Assim, você já vai saber se o aluno terá acesso a informações suficientes, se o tema é realmente interessante e se abre espaço para diferentes interpretações.
2- ENSINE A BUSCAR EM FONTES SEGURAS
Ensinar os alunos a selecionarem fontes é tão importante quanto o próprio conteúdo da pesquisa.
Hoje, os alunos normalmente tem usado dois caminhos muito rápidos para começar uma pesquisa: o Google e o ChatGPT.
Segundo uma pesquisa do Pew Research Center (2025), 26% dos adolescentes norte-americanos já utilizam o ChatGPT para trabalhos escolares — o dobro em relação a 2023. Além disso, mais da metade considera aceitável usar a ferramenta para explorar novos temas e levantar informações iniciais (Pew Research Center, 2025).
E aqui vem o ponto de atenção: nem sempre o que aparece primeiro na busca ou numa resposta automática é confiável.
Por isso, precisamos ensinar que essas ferramentas são apenas pontos de partida, e não o resultado.
Uma boa pesquisa exige que o aluno saiba selecionar fontes seguras, como:
- Livros didáticos e paradidáticos
- Artigos científicos simplificados
- Reportagens de veículos reconhecidos
- Entrevistas com especialistas
- Dados de órgãos oficiais
- Na Internet, oriente a turma a priorizar sites institucionais, universidades, museus, bibliotecas digitais e portais de pesquisa reconhecidos, evitando blogs anônimos ou páginas sem autoria clara.
Quando o aluno puder recorrer ao ChatGPT, explique que ele deve sempre pedir informações de fontes confiáveis e verificáveis, deixando claro no comando que precisa de dados sustentados por autores, instituições ou links de referência.
SUGESTÃO DE ATIVIDADE PRÁTICA:
Uma atividade prática interessante é comparar informações sobre um mesmo tema: escolha uma resposta do Google, uma do ChatGPT e outra de uma fonte científica.
Por exemplo, mostre uma informação sobre “saúde” retirada de um blog qualquer, outra resposta gerada pelo ChatGPT e a mesma informação em um site científico.
Depois, pergunte à turma: “Qual dessas informações transmite mais confiança? Por quê?”
Esse exercício ajuda a desenvolver o senso crítico e a desconfiar de conteúdos superficiais, perceber diferenças na qualidade das fontes e a entender que tanto o Google quanto o ChatGPT são portas de entrada para a pesquisa — nunca o ponto final.
💡 Dica da Profe Denise:
Crie junto com os alunos uma lista de sites confiáveis para pesquisa (como IBGE, museus, bibliotecas digitais, revistas científicas para crianças) para orientar futuras pesquisas.
E aproveite para mostrar como o ChatGPT pode ser usado de forma responsável: ele pode ajudar a organizar ideias, sugerir perguntas ou dar uma visão inicial, mas tudo deve ser conferido em fontes confiáveis antes de ser levado para o trabalho final.
No fim das contas, precisamos mostrar ao aluno que pesquisar não é aceitar a primeira resposta, mas aprender a conferir, comparar e construir o próprio conhecimento.
3- AJUDE A INTERPRETAR O QUE FOI ENCONTRADO
Muitos alunos acreditam que pesquisar significa acumular páginas de texto. Mas precisamos ensiná-los que a verdadeira aprendizagem está em interpretar as informações e descobrir o que elas significam e compreender o que foi lido.
É nesse momento que o professor precisa entrar como guia.
Se o aluno apenas copia do Google ou cola a resposta do ChatGPT, ele não se apropria do conhecimento. O que faz diferença é ajudá-lo a ler, selecionar, resumir e comparar o que encontrou.
Olha como você pode adaptar por faixa etária:
- Educação Infantil e 1º ano → use leituras coletivas de pequenos trechos.
Pergunte: “O que vocês entenderam desse pedaço?” ou “Isso tem a ver com a nossa vida?” - 3º ao 5º ano → incentive a criação de tabelas, resumos, esquemas de palavras-chave, comparações entre ideias.
- 6º ao 9º ano → proponha que selecionem as ideias principais e secundárias, destacando o que é fato e o que é opinião.
Se a turma pesquisa sobre alimentação saudável, por exemplo, peça que façam uma lista com:
– O que é informação comprovada” (ex.: “comer frutas faz bem para a saúde”)
– O que é opinião” (ex.: “tal fruta é mais gostosa que outra”).
💡 Dica da Profe Denise:
Ensine os alunos a fazer um fichamento simples. Um quadro com três colunas — Fonte / Informação / Minha interpretação — já ajuda muito.
Isso vale tanto para textos quanto para respostas de IA, porque mostra que a pesquisa não termina no que foi encontrado, mas no que o aluno entendeu e conseguiu explicar com suas próprias palavras.
4- ORIENTE A PRODUÇÃO ESCRITA
Depois de compreender, chega a hora de escrever.
Essa é uma das etapas mais desafiadoras — porque muitos alunos simplesmente copiam o que leram no Google ou colam a resposta pronta que receberam do ChatGPT.
O desafio é mostrar que escrever é dar forma ao que eles compreenderam. O texto final precisa ter a voz do aluno, não a do buscador ou da IA.
Mas… como podemos evitar o “copiar e colar” na prática?
- Peça que reescrevam as ideias com suas próprias palavras, mesmo que no início saia simples ou com frases curtas.
- Mostre modelos de diferentes formatos de apresentação:
- Verbete (como uma minienciclopédia);
- Reportagem (com título, subtítulo e texto informativo);
- Artigo de opinião (para os mais velhos, quando o tema permitir);
- Cartaz ilustrado (para os menores, que ainda estão em processo de escrita).
EXEMPLO PRÁTICO:
Em uma pesquisa sobre energia renovável, a turma pode organizar uma revistinha coletiva. Cada grupo escreve uma página explicando um tipo de energia (solar, eólica, hidrelétrica) com suas próprias palavras, complementando com imagens ou desenhos.
💡 Dica da Profe Denise:
Faça revisões coletivas no quadro, mostrando como melhorar frases, parágrafos e a organização das ideias.
Explique também que o ChatGPT pode até ajudar a revisar clareza ou sugerir uma estrutura, mas o texto final precisa refletir o entendimento e a autoria do aluno.
5- SOCIALIZE OS RESULTADOS
A pesquisa só ganha sentido quando é compartilhada com os outros.
Se o aluno pesquisa, escreve, mas o trabalho fica guardado na mochila ou entregue só para a nota, ele perde a oportunidade de viver a parte mais rica do processo: ensinar o que aprendeu.
Anota aí algumas formas criativas de socialização:
- Feira de Ciências → cada grupo monta um cartaz, uma maquete ou até um experimento para explicar suas descobertas.
- Seminário em sala → os alunos apresentam oralmente o que aprenderam e respondem às perguntas da turma.
- Mural de pesquisa → resumos, desenhos, esquemas e gráficos podem ser expostos no corredor ou na sala.
- Podcast escolar → grupos gravam pequenos áudios contando as principais informações descobertas.
EXEMPLO PRÁTICO:
Em uma pesquisa sobre reciclagem, a turma pode não só apresentar os resultados, mas também organizar uma campanha de conscientização na escola, mostrando na prática que a pesquisa pode gerar impacto real.
💡 Dica da Profe Denise:
Estimule que os colegas façam perguntas uns aos outros durante as apresentações. Isso ajuda a turma a perceber que ensinar também é uma forma poderosa de aprender.
CONCLUINDO…
Ensinar a pesquisa escolar é muito mais do que passar uma tarefa para nota. É formar estudantes curiosos, críticos e capazes de transformar informação em conhecimento.
É importante deixar claro para os alunos: Google e ChatGPT são apenas pontos de partida. O verdadeiro aprendizado acontece quando eles interpretam o que leram, escrevem com autoria e compartilham com os outros.
Quando bem orientada, a pesquisa deixa de ser “só mais um trabalho” e passa a ser uma experiência significativa de investigação, despertando a autonomia, o senso crítico e a confiança do aluno em aprender de verdade.
Com essas 5 etapas — perguntar, buscar, interpretar, escrever e compartilhar — você transforma a pesquisa em uma ferramenta poderosa de aprendizagem ativa.
👉 E agora quero saber de você: como tem orientado as pesquisas na sua turma?
Deixe seu comentário e me conte o que achou dessas ideias. Vamos trocar experiências e fortalecer ainda mais nossa prática como professores!
Conheça a Professora Denise!
A Professora Denise Ferreira é apaixonada pela arte de educar. É pedagoga, palestrante e formadora em cursos para professores, é colaboradora do Laboratório de Psicologia Genética /LPG–FE–UNICAMP e pós-graduada em Gestão Escolar pela USP.
Tem extensa experiência como professora, coordenadora pedagógica e no trabalho de formação de professores.
É autora, curadora e produtora do Instagram, Facebook, Youtube e aqui do Blog Papo da Professora Denise, somando mais de 1 milhão de seguidores em suas redes sociais.
Nesse trabalho divulga conteúdos com ideias criativas, inspiração e ajuda para que a vida dos professores seja mais leve e produtiva.
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